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Ponto de virada

"Suddenly Silent", de Blake Crasher

“Suddenly Silent”, de Blake Brasher

Os nossos retratos de margarina,
De um tempo ainda sem volta — tão breve ida,
Põem lágrimas salgadas derretidas
Em pedaços de amor, delícia fina.

Doença: cruel ponto de virada
Na história que contávamos em dois
Um corte! De romance a drama, pois;
Quisera devorar sua dor, amada…

Escorre outra memória cristalina
Nos lábios meus — e a voz, enfurecida,
Decide não protestar contra a vida
Enfrenta a morte: “Sai daqui, assassina!”

O que mais quero é ver você curada
De resto, qualquer tudo vale nada.

– – –
Você também pode ouvir o poema recitado aqui, por mim.

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Única

Morena leonina da pele branca
Juba tão negra, tão longa, tão lisa
Teu olhar mestiço marcante me avisa:
“Sou muito mulher; sou fogo, sou franca”

Morena branca da pele leonina
Sempre que amarra essa negra cortina,
Os braços na altura do nariz fino,
Percebo de novo porque me fascino

Por essa mulher de quem quente emana
Simples sorriso de amazona urbana:
Revela, elegante, teus mais de vinte
Mistérios fartos, felino requinte

E segundo seguinte segue adiante
Qual leoa que és: exuberante.


– – –
Escrevi esse poema em 2009 e fui um dos vencedores do Prêmio Flipoços daquele ano com ele. Achei que seria adequado para começar este blog.